Poesia é descrição, tudo que acontece e eu tento descrever, mas nem sempre consigo - quase nunca na verdade.Poesia é choro, você me faz chorar e eu deságuo mesmo sem motivo, minha poesia está repleta de gotas salgadas que escorrem dos meus olhos.
Poesia é melancolia, você se alegra da vida e eu sei que eu também deveria, mas me contenho, como qualquer miserável que não se atreve a se alegrar.
Poesia é qualquer dor não física, qualquer pranto, qualquer ferida que a alma guarda e que de vez em quando a saudade insiste em cutucar.
Poesia é toda vontade que se tem de dedilhar algumas cordas e abrir a boca pra soltar a voz, ainda que não haja letra ou canção.
Poesia é um mistério, a gente não conhece nem metade do que inventa, sim por que poesia é invenção de alguma mente desocupada.
Poesia é a dor de cabeça prolongada, é medo, é súplica, é o que restou depois da ressaca chata de um sábado de chuva, desses em que a gente insiste em se consumir de alguma forma errada – e eu odeio chuva.
Poesia é loucura e espero que nenhum desocupado tente entendê-la, pois isso é proibido, ela nasce e permanece complicada e inexplicável, uma fera feminina e indomável... Perigosa demais para qualquer mente sã.
Poesia é isso, é o fim que a gente não espera quando chega a última palavra, que a gente só vai saber que é última quando só restar silêncio, poesia é um beijo calmo, é um olhar sincero, poesia é a fala mansa, é a pele macia, é o cheiro doce, poesia é o resumo do ser amado, que é imperfeito, mas que a poesia melhora, poesia é a alma e o alento seco, poesia é o que chega e o que parte, a poesia é o desejo de ser diferente.









